PRINCÍPIOS
GERAIS NA ARTE DE EDUCAR, CONFORME TERESA VERZERI
Os princípios gerais na arte de educar, conforme Teresa Verzeri,
fundamentam a prática pedagógica das Escolas da Instituição
Verzeri. Toda a proposta pedagógica está fundamentada
nos oito princípios da fundadora, que são:
1.Testemunho: O testemunho é um dos princípios
educacionais, onde a ação de presença é
evidenciada pelos valores éticos da convivência e nas
relações humanas que acontecem no diálogo que
deve ser permanente. A valorização das ações
e dos exemplos são fundamentais para que o educando possa
se espelhar no agir dos educadores que são seus referenciais
mais imediatos. Daí que toda interação seja
precedida pela reflexão e posterior revisão para que
seja um autêntico testemunho de vida.
A este propósito afirma Santa Teresa Verzeri: “Quem
quiser ser verdadeiramente útil aos jovens, deverá
precedê-los em todas as virtudes com o exemplo, lembrando-se
de que se obtém muito mais silenciando e agindo do que falando
sem agir, e, que o progresso do discípulo não se obtém
pela voz do mestre mas por seu exemplo.“
“A experiência comprova esta verdade: é necessário
viver antes, o que pretende ensinar aos outros. É indispensável
mostrar com o exemplo o que se pretende ensinar com palavras.”
“Se notardes que vossos ensinamentos caem em vão e
produzem pouco efeito, examinai vosso proceder e haveis de encontrá-lo
falho justamente naquilo em que vossas instruções
são menos eficazes”. (Livro dos Deveres, edição
portuguesa, Vol.II, p. 174-175, 1981).
2.Liberdade e responsabilidade: O processo de
educação autêntica desperta e desenvolve valores
aprofundando-os e orientando o educando para o exercício
constante do discernimento pela participação e a liberdade.
Nessa perspectiva, o processo educativo passa a ser entendido como
prática da liberdade, como afirma Paulo Freire. A escola
se transforma, assim, num espaço de atuação
mais livre, espontânea e igualitária na qual cada educando
passa a se constituir sujeito de sua própria história,
e, também, onde a liberdade de ação e de escolha
exerce função importante na construção
da personalidade. A missão da escola é de constituir-se
num espaço que permita a formação de tais personalidades
autônomas, livres e felizes.
O limite, porém, entre liberdade total e liberdade responsável
é tênue. A liberdade responsável é uma
opção da pessoa e uma conquista que dura toda a vida.
A liberdade assumida como processo existencial conduz à autonomia
que é responsabilidade perante às próprias
decisões. Na relação com os demais, sem esquecer
a natureza como um todo, a ecologia e outros aspectos que tornam
a vida possível, o ser humano torna-se sujeito livre, responsável
e assume a própria identidade. Se auto descobre, elabora
seu projeto de vida, toma consciência de seu papel na história
e se direciona para a maturidade.
Santa Teresa Verzeri, ao falar sobre liberdade em educação
afirmou: “Sempre dentro dos limites do regulamento e da obediência,
deixe-se aos jovens certa liberdade, para que saibam que o jugo
do Senhor é suave e seus servos são livres. Uma prudente
liberdade fará o educando agir com espontaneidade e liberdade,
a fazerem com prazer aquilo que fariam, talvez, com dificuldade
e revoltadas se coagidas. Quisera que tivésseis sobre os
educandos uma liderança eficaz e santa de modo que vos considerassem
sinais de Deus, revestidas de Sua autoridade, animadas pelo Seu
espírito e impulsionadas pela caridade e doçura de
Seu divino Coração”. (Livro dos Deveres –
edição portuguesa, Vol. II, p. 175-176, 1981).
3.Acolhida aos educandos: Vislumbrando a educação
como um constante desafio à acolhida e às relações
de qualidade, a escola cria condições que favoreçam
a comunhão e a participação dos educandos entre
si, com os educadores, familiares e enfim, com toda a comunidade
escolar numa vivência que conduz à experiência
da amorosa filiação de Deus. Acolher é atitude
do coração. É uma forma de humanizar-se e de
humanizar. Para isso, importa dar-se conta de que o outro existe.
Ele e eu, em relação recíproca, teremos melhores
condições de vida, além de maiores possibilidades
de contribuir para tornar a sociedade humana e feliz.
Este procedimento é enaltecido por Santa Teresa Verzeri:
“Vós minhas diletíssimas, que deveis ser animadas
e conduzidas por uma sólida caridade, tende para com essas
jovens difíceis e mal-agradecidas o olhar atento e o coração
benigno, indo ao encontro de suas necessidades assim que podeis.
“A natureza e o amor-próprio levam-nos a prodigalizar
atenções e cuidados para com as jovens que demonstram
afeição, estima e respeito, que falam bem de nós.
Mas a verdadeira caridade olha com predileção aquelas
que nos detestam, que nos desprezam e falam mal de nós reconhecendo-as
especialmente necessitadas de ajuda e apoio “. (Livro dos
Deveres, edição portuguesa, Vol. II. P. 176-177, 1981).
O autêntico processo educativo oportuniza a possibilidade
de construir experiências de relações igualitárias
e de autonomia aos educandos, sobretudo aos que apresentam necessidades
educativas especiais. Importa propiciar-lhes meios que valorizem
sua pessoas como indivíduos únicos, orientando-os
na vivência e na busca de sua identidade, em vista de uma
auto estima saudável e duradoura.
Em resposta, o educando construirá seu processo de aprendizagem
através de suas capacidades e limitações. Pela
mediação dos educadores, os educandos alcançarão
uma cidadania capaz de interferir na sociedade para transformá-la.
4.Conhecimento do temperamento dos educandos:
Em educação, é necessário olhar as individualidades,
respeitar as diferenças e o ritmo de cada um, conhecer os
temperamentos e oportunizar uma liberdade responsável, porque
cada educando é único.
Santa Teresa Verzeri enfatiza a importância do conhecimento
do temperamento dos educandos para atingi-los e influenciá-los
eficazmente, considerando as diferenças individuais, como
postura educativa.
“Se vos dedicais ao cultivo das pessoas e à educação
das jovens e permaneceis presas e escravizadas a certas normas gerais,
aplicando-as indistintamente, obtereis um mínimo de bem e
correis o risco de causar confusão e desordem...”
“Estudai-lhes o temperamento, observando suas manifestações,
inclinações e movimentos espontâneos, até
conhecê-las o mais profundamente possível, para formar
delas um juízo acertado. “Enquanto não conhecerdes
o temperamento dos jovens, não adoteis nenhum método
específico. É preferível que permaneçam
algum tempo privados do seu alimento, a receberem outro não
condizente”. (Livro dos Deveres, Edição portuguesa,
Vol. II, p. 178, 1981).
Os educadores agem com serenidade movidos pela paixão para
com a juventude. Com capacidade de unir afetividade e conhecimento,
ternura e vigor tanto no pensar como no agir. Apresentam, também,
um posicionamento decidido e acolhedor de quem sabe ser firme com
suavidade, enérgico com doçura e exigente sem ferir.
Para isso se criam as condições necessárias
para que todos os educandos se sintam pessoas com possibilidades
e limites e se desenvolvam para o exercício da cidadania
e para a construção de uma sociedade democrática
e inclusiva.
5.Discrição e discernimento: A capacidade
de discernir é uma exigência da condição
humana. Implica o exercício de análise crítica
da realidade com vistas à justa avaliação da
mesma e o compromisso conseqüente de ações internas,
posições mentais e cordiais, atitudes pessoais ou
grupais diante de acontecimentos, situações, problemas,
pessoas, diante de si mesma e na relação com os outros,
com o universo criado e com Deus.
A interação educando-educador proporciona momentos
de reflexão, experimentação de forma autônoma
e responsável.
O educador é, portanto, presença orientadora e norteadora
que com discrição e prudência, se mostra atento
aos anseios e às necessidades dos educandos. O senso de oportunidade,
medida, cordialidade, simplicidade e confiança serão
atitudes imprescindíveis na vida e na prática docente.
Por isso, é necessário conhecer a história
de cada educando. Ouvir mais do que falar. Utilizar-se de meios
adequados para chegar ao coração e à mente
dos jovens. Conhecer, pelo menos em parte, os sonhos, angústias,
esperanças e buscas. Oferecer a cada um o necessário.
E não mais do que isso, para que o conhecimento adquirido
com sua própria capacidade e imaginação, leve
o educando ao seu aperfeiçoamento interior.
Para tanto, faz-se necessário adaptar-se ao temperamento,
índole, às inclinações e circunstâncias
de cada um, pois, assim, o educador terá elementos para selecionar
os meios adequados para o seu fazer pedagógico, num empenho
de educação para a virtude, conforme o Carisma e a
Espiritualidade do Coração de Jesus. Santa Teresa
Verzeri assim se expressa:
“No trato e na educação da juventude usai de
extrema discrição. Mantende firme o propósito
de educá-las para a virtude e orientá-las para Deus.
Na escolha dos meios adaptai-vos ao tempo, à índole,
às inclinações, às circunstâncias
de cada uma.”
“Com base no conhecimento de cada uma, estabelecei a maneira
de tratá-las. Algumas requerem um trato enérgico,
outras, afável; algumas, rígido e outras, suave; reservado
com algumas e aberto e familiar com outras. Dai a cada uma o que
lhe for adequado, sendo isso e não algo diferente o que se
faz necessário para conduzi-las à virtude e aperfeiçoá-las
no espírito” (Livro dos Deveres, edição
portuguesa, Vol II p. 177-178, 1981)
6.Respeito à individualidade: A escola
precisa ser lugar de diálogo e boa convivência, para
que as transformações sociais não se tornem
desigualdades sociais, mas busca da paz e da inclusão de
todos. Sendo assim, a construção da cidadania passa
pela valorização das diferentes culturas, dentro da
sua própria comunidade e busca ultrapassar os seus limites
também no que diz respeito ao conhecimento.
A partir disso, a educação, alicerçada nos
princípios de Santa Teresa Verzeri, prioriza o desenvolvimento
integral do educando, no respeito e valorização de
suas próprias convicções e da dos demais.
Assim se expressa Santa Teresa Verzeri:
“Sede atentas para não pretender conduzir os outros
pelo caminho que vós mesmos percorreis. Esse é um
erro no qual se incorre facilmente. Como acontece com as fisionomias,
assim também o ser das pessoas é diferente; o mesmo
se dá com os caminhos estabelecidos pela sabedoria de Deus
para conduzir à santidade. Quem quisesse limitá-los,
ofenderia a sabedoria divina, restringindo-a às próprias
perspectivas e descobertas...”(Livro dos Deveres, edição
portuguesa, Vol.II, p. 178-179, 1981).
Cada pessoa é um ser único; possui desejos, anseios
e necessidades. É preciso levar em conta as diferenças
individuais; dar tempo ao tempo; não apressar o processo.
Para que a aprendizagem seja efetiva, o educador precisa respeitar
o educando na sua individualidade, na sua autonomia, identidade,
processo, e, a partir deste conhecimento, traçar o caminho
para chegar ao desenvolvimento integral. Agir com retidão
para orientar com sabedoria. Não fazer exigências rigorosas,
mas atuar com paciência, doçura e bondade com alguns
e com outros com amizade e confiança.
Esse é um grande desafio que perpassa todo o fazer pedagógico.
Conhecendo o temperamento, índole, inclinações
e circunstâncias de cada educando, será possível
oportunizar um atendimento focado no seu ritmo de aprendizagem nas
suas necessidades e nas suas expectativas, tendo muito presente
que o objetivo final é chegar à maturidade humana
e cristã.
7. Ponderação e prudência:
Os costumes familiares dos educandos, e sua bagagem histórico-sócio-cultural
os acompanharão durante toda a sua existência. Por
isso, é importante respeitar as diferenças e tentar,
com ponderação e prudência, auxiliar o educando
na autocompreensão das próprias atitudes e comportamento
e favorecer a superação e a reelaboração
necessárias.
Os costumes, mesmo enraizados, podem ser modificados pela ação
pedagógica do educador desde que, passe pelo desafio de compreender
o que não pode ser alterado ou reestruturado e aquilo que
consideramos oportunidade de melhorias. A ponderação
se faz necessária na medida que leva a avaliar fatos, à
reflexão de situações estabelecidas, definindo
riscos e desafios. Nesse particular, Santa Teresa Verzeri diz, citando
São João Batista:
“... ele conhecia e praticava tudo com a maior perfeição,
contudo, tendo sido interrogado por alguns publicanos pecadores
sobre o que deveriam fazer como penitência...o Santo disse-lhes:
“nada mais do que aquilo que está prescrito”
(Lc 3,13). Eis como João Batista se ateve ao extremamente
necessário sabendo que se tivesse exigido mais nem mesmo
isso ele teria conseguido. Aprendei deles minhas caríssimas
a ser extremamente discretas”. (Livro dos Deveres Vol. III,
cap. III, p. 353. e na edição portuguesa Vol. II,
p. 180, 1981).
A prudência encoraja nas decisões a serem tomadas,
no que se refere a avançar ou a conservar. Faz refletir e
impulsiona a agir. A pessoa prudente age com discrição,
não deixa o certo pelo duvidoso, fala pouco e escuta muito,
reflete antes de assumir, dá o devido tempo a cada coisa.
Ao tomar decisões procede com coragem, guarda segredo no
coração, é esclarecida e cautelosa e modera
as palavras. Na adversidade, mantem-se tranqüila, sabendo discernir
o que é autêntico daquilo que é falso e não
julga facilmente o próximo.
8.Recurso a deus: Através de um profundo
respeito a todas as formas de vida, em especial a do ser humano
nas suas diversas dimensões, os educadores têm uma
postura de inculturação, valorizando o diálogo
ecumênico e inter-religioso tendo como pressuposto o Evangelho.
Nossas escolas, como promotoras de uma educação evangélico-libertadora,
iluminadas pelo Carisma da Congregação e seguidoras
da pedagogia de Jesus não podem omitir-se com relação
à evangelização conforme enfatiza Santa Teresa
Verzeri:
“Não esqueçais que o êxito na formação
de vossos educandos está nas mãos de Deus, êxito
alcançado com Sua graça. Não está ligado
nem, à suavidade nem ao rigor, mas à moção
do Espírito Santo que inspira e conduz onde quer”.
(Livro dos Deveres, Vol.II. tradução portuguesa, p.
181, 1981).
Portanto, é de Deus que vem a força inspiradora e
promotora do bem. Por isso, é preciso cultivar os ensinamentos,
numa busca constante em atividades diárias. O êxito
de uma educação evangelizadora está em deixar-se
guiar pelo Espírito Santo. A espiritualidade deve fazer parte
de todo o caminho que se deseja percorrer.
Educar através da fé, nos dias de hoje, é um
desafio maior que em outros tempos. O educador, antes mesmo de ser
mestre para os outros, precisa ser educador de si próprio.
Escolher viver o Evangelho de Jesus Cristo e comunicá-lo
com transparência e suavidade, firmeza e amor, como fez Santa
Teresa Verzeri. Ela buscou a fonte da vida, liberdade e amor nas
lições que Ele deixou. O agir com bondade, firmeza,
prudência, delicadeza e discernimento faz com que o educando
aceite os ensinamentos e orientações, semeados nas
ações diárias da prática docente.
O proveito maior vem do exemplo e das ações não
tanto das palavras, embora traduzidas no modo de compreender e de
viver. A fidelidade a Deus, pelo cultivo da Espiritualidade do Coração
de Jesus, é essencial.
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